A maneira correta de se apresentar a um cão

Há algumas semanas, comprei o livro do César Millan, “O Encantador de Cães”, e estou realmente aprendendo muito com ele.

Não apenas sobre a minha relação com os animais, como também no trato com as pessoas através da energia.

Em grande parte da vida, posso dizer que sou bastante cética. Mas, há coisas que não se discutem.

Quando seu colega de trabalho chega no escritório pela manhã de cara fechada, por exemplo, ele nem precisa dizer nada pra que você consiga enxergar aquela “nuvem preta” em cima de sua cabeça.

Provavelmente, algumas coisas poucos agradáveis aconteceram com ele no dia anterior ou no caminho para o trabalho. Enfim: você sabe que ele não está bem por causa da energia baixa que ele está transmitindo.

Com os animais, é exatamente a mesma coisa. A única diferença é que eles têm um senso de percepção muito maior, capaz de nos perceber assim que chegam perto de nós. Por isso, em um primeiro momento, o mais importante é entender como nos apresentar aos nossos futuros amigos.

O início

A mãe é a primeira “apresentação” que um filhote tem no mundo. Ela é o primeiro “outro ser” que um cão encontra. Agora, compare o odor e a energia calma e assertiva que uma cadela oferece aos filhotes com a maneira como geralmente nos apresentamos aos cães. O que normalmente você faz quando vê um filhotinho? “Ohhh!”, exclamamos com a mesma voz fina que costumamos usar ao falar com bebês. “Venha cá, coisinha linda!”

Assim, nos apresentamos ao cachorro usando a voz em primeiro lugar – e não apenas a voz, mas geralmente um som animado e cheio de emoção. O que fazemos é projetar energia emocional e animação, que é o mais distante que podemos chegar da energia calma e assertiva. Para um cão, a energia emocional é fraca e geralmente negativa. Assim, desde o princípio, mostramos ao cão que não o entendemos.

E o que vem depois? Nós nos aproximamos do animal, e não o contrário. Corremos até ele, nos abaixamos e fazemos carinho – geralmente uns tapinhas na cabeça -, antes que ele saiba ao menos quem somos. Nesse momento, o cão já percebeu que não entendemos nada a respeito dele. Também percebeu claramente que nós fomos até ele – com isso, é como se assinássemos um contrato dizendo que somos os seguidores, e ele, o líder.

Psicologia canina, e não a humana

A melhor maneira de se aproximar de um cão é não se aproximar dele de jeito nenhum. Os cães nunca se aproximam uns dos outros cara a cara, a menos que estejam se desafiando. E os líderes nunca se aproximam dos seguidores; é sempre o contrário que acontece.

Existe como que uma etiqueta no mundo canino que estabelece que, ao encontrarmos um cão, não devemos olhá-lo nos olhos, mas manter a energia calma e assertiva e permitir que o animal se aproxime. Como esse cão o analisará? Pelo faro, é claro.

Olfato canino

Um cão que o cheira está reunindo informações importantes como sexo, idade, por onde andou, o que almoçou. Ao cheirá-lo, ele sente não apenas seu odor, mas também toda a energia que você está projetando.

Pode ser que o cão não fique interessado em você ou se afaste à procura de cheiros mais interessantes. Ou, pode decidir continuar a descoberta. Apenas quando o cão decide iniciar contato, esfregando-se em você ou empurrandodo-o com o focinho, é que você deve oferecer carinho. E deixe para fazer contato visual quando se conhecerem melhor – decisão mais ou menos parecida com a de não ir longe demais no primeiro encontro, numa relação pessoal.

Naturalmente, uma pessoa que gosta de animais tentará tocá-lo e oferecer carinhos para que ele fique, ou volte. Para alguns cães, essa atitude pode ser vista como um avanço indesejado e pode causar uma mordida. Mesmo com um animal dócil, geralmente recomenda-se que as pessoas se aproximem sem demonstrar afeto. Permita que o cão o conheçam se sinta à vontade com você e faça alguma coisa para ganhar seu carinho primeiro.

De acordo com a especialista em comportamento canino, Patrícia B. McConnell, estudos mostram que acariciar um cão reduz a frequência cardíaca e a pressão arterial dos seres humanos –  e também nos cães – e libera componentes químicos em nossos cérebro que ajudam a nos acalmar e combater os efeitos do estresse. Mas, quando nos aproximamos de um cão que não conhecemos e lhe oferecemos carinho incondicional, podemos criar um sério desiquilíbrio em nosso relacionamento com ele.

 

 

 

 

Entendê-los para conquistá-los

É compreensível que as pessoas tenham as melhores intenções em querer acariciar os animais logo de cara, mas devemos lembrar que, ao fazer isso, estamos satisfazendo nossa necessidade de afeição, e não a do cão.

Como a maioria dos mamíferos, os cães querem e precisam de afeto. Mas não é a primeira nem a mais importante coisa que eles precisam de você.

Conquiste primeiro o respeito como se fosse o líder da matilha daquele animal. Depois, faça com que ele mereça seu carinho. E logo, vocês terão uma amizade longa e duradoura.

Referência: livro O Encantador de Cães. Autor: Millan, César. Editora: Verus.